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quarta-feira, 27 de abril de 2011

A música

É estranho ficar dentro do quarto agora, não é a mesma coisa e nem tem a mesma graça, tudo mudou, talvez, pra sempre. E eu tinha medo de ficar dentro daquele amontoado, de um cubo, apenas olhando para fora daquela janela me deparando com o jardim da casa em frente e vendo aquele senhor de idade avançada ler o mesmo livro todos os dias. E você resolve aparecer na minha vida sem pedi licença e eu burro permito que entres sem precisar dar alguma explicação. Agora aquele quarto já não fica mais tão vazio, não fica tão sem graça, agora eu tenho você pra me fazer dormir ou cantar ou brigar se possível. É, porque quando você precisa de alguém naquele quarto, vale até alguém que brigue com você.

Eu não quero falar desse quarto sujo e empoeirado, quero te falar do cd que você esqueceu (de propósito) quando fostes embora do jeito como entrou, sem dar explicação. Ele ficou aqui em cima da estante e eu peguei para escutar na manhã de segunda, quando eu estava na beira da janela pensando em você. A nossa música começa a tocar e eu? Levei um susto e corri pra desligar o som. Tirei o cd e quebrei e joguei no lixo. A música continuou a pairar no quarto, na minha cabeça, em todos os ambientes da casa. O mais chato é pensar que eu escutava você cantar aquela música e nunca tinha aprendido a cantar e fica escutando a tua voz perfeita melodiar a música que, agora, pra mim é a mais horrível que existe. Não resisti e fui procurar pela bendita na internet e baixei. Fiquei a tarde toda ouvindo aquela porcaria e como todo apaixonado que se preze, chorei. Chorei por tantos motivos.

Chorei lembrando da primeira vez em que você cantou e deu ênfase na parte que dizia: Eu vou no inferno buscar você, o nosso amor ninguém toca, ninguém rouba, ninguém destrói... e disse que dedicava à mim. Chorei da vez em lembrando da vez em que eu pedi pra você me ensinar e me enrolei todo na letra. E chorei por tudo que a gente fez junto durante aqueles três anos que ficamos juntos. A desgraçada da música continua a martelar dentro de mim, pergunto onde foi para todas as dedicações, toda aquela letra medonha que eu amava ouvir e que agora não passa de uma letra qualquer... Onde está tudo? Onde se perdeu? E agora eu voltei a ficar na janela, sozinho de novo olhando para o senhor que consegue sorrir mais do que com o seu livro.

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