Trabalhos, bagunça, brigas, professores chatos e a pessoa mais bonita da minha classe. É exatamente nisso que se resume a minha turma do terceiro ano. O foco sempre é nele, talvez seja só o meu foco. Ele é diferente de todos os meninos das classes anteriores, do jeito que eu gosto, de que todos gostam, definitivamente o mais bonito. Um pouco menor que eu – quem se atreve a ser maior que eu? – cabelos para cima, barba e óculos, o que faz ficar charmoso. Hoje tive o primeiro contato com ele, não aquele contato, consegui estabelecer fala, sei lá, alguma idéia. Sentei lá no fundo da sala, pois sabia que ele senta ali também e para a minha alegria ele sentou na minha frente. Fiquei com o sorriso de ponta a ponta, algumas vezes até me inclinava pra frente para poder ficar bem, bem mais perto, coisa de gente besta. Fico feliz por um lado de não estar apaixonado, de estar apenas afim e acima de tudo “admirá-lo”. Hoje trocamos alguns olhares que não significaram absolutamente nada, apenas olhares de zuação, de confusão. Confesso que eu gostei daqueles olhares por trás de uma lente transparente, por mais que não dissesse nada eu queria que ele olhasse, até mesmo pra zuar, pra confundir, já que é só isso que ele pode dar até então. Procuro toda manhã sentar lá atrás, porque eu sei que ele vai estar ali entre seus vários amigos que por algum motivo, alguns, são meu também. Ele tem o melhor jeito do mundo, aquele jeito de aluno exemplar, atencioso, eu por outro lado gosto da bagunça, só um pouco. A coisa mais linda que eu percebi nele nesta semana é que ele estar lendo o livro mais perfeito – Querido John – e quase fui lá pedir emprestado. Acho que todo mundo quando gosta de uma pessoa olha logo a parte facial, principalmente o sorriso, e eu, claro, percebi o quanto o dele era lindo, quanto em chamava atenção e que atenção. Eu já vira ele no ano anterior e sabia que eu passasse de uma série a outra que ele seria da minha classe e quase pirei quando tive certeza que ele estaria sentado em alguma cadeira pelo meio da sala. Primeiro dia de aula foi extremamente bom, quando vi ele entrando pela aquela porta quase cair da cadeira, tentei colocar a minha mesa próxima dele, mas não teve como, seria muita indiscrição. Hoje já fico feliz, tento me enturmar com os meninos para poder ficar mais perto, vou para o colégio feliz em saber que poderei vê-lo por toda manhã e saber que cada vez mais eu estou perto.
"E me pergunto se, quem sabe um dia, na hora certa, nosso encontro pode acontecer inteiro."
Caio F. Abreu

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